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«A Revolução que me ensinaram» é um espetáculo de teatro, da autoria de Joana Cotrim, que parte de uma investigação pessoal desenvolvida ao longo dos últimos anos.
Desse processo de investigação resultou já um objeto artístico, desenvolvido no âmbito do programa de mestrado em encenação da Royal Institute of Theatre, Cinema and Sound, em Bruxelas, em 2016. O contexto das comemorações dos cinquenta anos do 25 de Abril dá ocasião a uma nova revisitação do material investigado e a um novo processo de criação. Mais do que resgatar ou recriar um objeto, propõe-se o regresso a um tema cuja pertinência se agudiza no contexto da efeméride: quantas versões têm as histórias que fazem a História do 25 de Abril e da sua Revolução?

«A Revolução que me ensinaram»

Mas também poderia ser ‘A revolução que me ensinaram a odiar’, ou ‘Um mandato de captura que me deu a vida’ ou ‘Doa a quem doer’ ou até ‘A liberdade tem um preço’, são os vários títulos que podem enformar esta história de uma família que segue para não dizer foge para o Brasil durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC). É pela voz de uma criança de 8 anos, que chega a Portugal sem saber porque se faz uma festa no dia 25 de Abril, que se vai compondo a dramaturgia deste espetáculo autoficcional, que serve de trampolim para a reflexão sobre o processo revolucionário logo após o 25 de Abril, como possibilidade de expressar o desconforto através de entrevistas familiares, diálogos sobre conceitos como ‘direita’ e ‘esquerda’ e o medo de não pertença.

Ao longo dos últimos, anos fui procurando sistematizar a minha investigação, coincidente com o lapso de tempo em que, de menina, me fui tornando mulher. Mulher essa que, nas suas interações sociais, se viu muitas vezes confrontada com a questão que lhe era cara – mas difícil de encarar: como explicar aos seus amigos, muitos deles politicamente comprometidos “à esquerda” e com valores progressistas, a verdadeira razão da sua nacionalidade brasileira, e o porquê da emigração da sua família no pós-25 de Abril – sabendo que, aos olhos desses amigos, essas narrativas apareceriam sempre como suspeitas, como indutoras de preconceito e desconforto?…

 

«A Revolução que me ensinaram» é um dos 45 projetos apoiados pelo programa «Arte pela Democracia», uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril em parceria com a Direção-Geral das Artes.

O Programa «Arte pela Democracia» promove projetos artísticos que se enquadrem nas Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e que contribuam para a reflexão sobre a relevância deste acontecimento na construção da democracia.

É dirigido a projetos artísticos nas áreas das artes visuais (arquitetura, artes plásticas, design, fotografia e novos media); artes performativas (circo, dança, música, ópera e teatro); artes de rua; e cruzamento disciplinar.

A primeira edição, lançada em 2023, teve uma dotação orçamental de um milhão de euros. Selecionou um total de 45 projetos, que abrangem todo o país.

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